Ter consciência da realidade não facilita o fato, mas facilita o processo. Disse Agostinho de Hipona, muitíssimos anos atrás: “Quem poderá negar que a vida humana sobre a terra seja uma tentação sem tréguas?”
Para ele, tentatio envolve qualquer prova constante da condição humana caída. Isto é, a vida é uma sucessão ininterrupta de testes: instabilidade emocional, sofrimento, incerteza, medo, perda, desejo, fragilidade do corpo — e não apenas a tentação que estamos acostumados a ouvir no sentido moral-religioso.
E quando eu digo que ter consciência da realidade não facilita o fato, mas sim o processo, quero dizer que entender os comos e os porquês é parte essencial do processo de cura, de amadurecimento, ou de qualquer reflexão profunda diante das crises existenciais. E aqui há uma informação importante de ressaltar: a gente não vai saber o porquê de tudo, mas compreender as motivações é fundamental.
Arthur Schopenhauer, o grande filósofo do pessimismo, afirmava que o sofrimento cresce na mesma proporção da consciência. Muito nessa mesma linha, Søren Kierkegaard dizia que a consciência gera angústia, e que a angústia nasce da consciência da possibilidade. Complexo, não?
Daí se escuta, como dito popular, sobre a bênção — ilusória, na minha opinião — da ignorância.
Dizem que o tempo é infalível. Quanto mais ele corre, mais a gente aprende. Nem todo aprendizado é simples. Mas todo aprendizado é necessário? Hoje, eu não trago respostas — apenas perguntas.

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