Vocês sabem — porque eu já contei para vocês — que sou uma pessoa muito ansiosa. Se naquele dia eu comentei sobre as sensações, hoje eu gostaria de levar a reflexão para outro lado: os porquês.
A gente fala muito sobre ansiedade, mas será que já parou para pensar o que ela é, de fato, e por que está tão presente? Primeiro de tudo, e antes de mais nada: a ansiedade é uma resposta natural do nosso cérebro quando ele percebe alguma ameaça, risco ou incerteza.
Quando o nosso cérebro entende que pode acontecer algo perigoso ou fora do comum, ele ativa um conjunto de reações automáticas no corpo como preparação para luta, fuga ou proteção — seja em um momento de caça, há 10 mil anos, ou em uma reunião importante amanhã com o RH. O estímulo pode mudar, mas a reação, ao meu ver, não muda tanto assim: o cérebro reage quando se sente ameaçado.
Eu não sei você, mas eu acho isso superinteressante, porque tudo tem explicação. Grosso modo, quando a amígdala cerebral detecta o perigo — ou a sensação de perigo —, ela envia um alerta para o hipotálamo, que funciona como um “centro de controle”. Ele ativa o sistema nervoso autônomo, o que leva à liberação de hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol. Aqui, eu só consigo lembrar da cena de Divertidamente, quando as emoções entram em puro caos e todos os alertas ficam ligados, ou de Monstros S.A., quando aparece uma criança e a empresa ativa rapidamente o protocolo de segurança. Desculpem as referências infantis — eu funciono muito por analogias.
E quem sente tudo isso? Você e o seu corpo. Por isso, são comuns sintomas como coração acelerado, respiração curta ou ofegante, tensão muscular, suor frio, nó no estômago, dificuldade de concentração e sensação de alerta constante. Isso é o “protocolo de segurança” ativado: o corpo tentando proteger você.
Tudo isso para dizer que ter ansiedade é normal e faz parte da condição humana — social e biologicamente falando. A ansiedade, portanto, é necessária e funcional, porque ajuda a evitar perigos, melhora o foco em situações importantes e prepara o corpo para desafios. Mas ela se torna um problema quando é desproporcional ao risco real, aparece sem uma ameaça concreta, permanece latente por muito tempo e interfere na sua vida, no sono, no trabalho e nas suas relações.
Nesses casos, não é simplesmente ansiedade, mas ansiedade patológica ou transtornos de ansiedade. E não há por que sentir vergonha ou medo de julgamento alheio. Quem julga uma pessoa ansiosa é, antes de tudo, uma pessoa ignorante.
Tudo isso que escrevi aqui é óbvio demais para você?
Se for, que bom — isso significa que você já tem consciência sobre como melhorar.
Não é nada óbvio? Fico feliz por ter conseguido ajudar de alguma forma.
Sobre o título: eu escolhi “Volte ao presente”, pois é isso que me ajuda a superar momentos de ansiedade: onde eu estou agora, o que posso fazer agora e como posso fazer isso agora.

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