Em 2016 eu tive a minha primeira crise de ansiedade e eu não sabia que estava se tratando de uma. Por causa dos sintomas físicos que apresentei, fui levado ao hospital no mesmo momento e para a minha surpresa, os exames médicos mostraram que não havia nada de errado com o meu corpo naquele momento, embora eu estivesse com sintomas corporais severamente intensos.
Era um dia de semana qualquer, como qualquer outro. Eu estava na igreja como comentarista da celebração, lendo o comentário inicial. De súbito, os sintomas chegaram e o fizeram com um rompante me deixando completamente desarmado e vulnerável.
O meu rosto ficou paralisado e eu não conseguia abrir meus olhos e boca, sendo impedido de enxergar e falar, apenas produzir grunhidos inaudíveis. Enquanto isso acontecia, uma sensação forte de formigamento e pressão sobre todo o meu rosto tomavam conta.
As minhas mãos, bem como todo o resto do meu corpo, não correspondiam aos meus comandos e nem mesmo comandos poderiam ser dados. A sensação mais imaginável para mim é a de um mergulho numa piscina de concreto líquido, que vai ficando pastoso e se solidificando pouco a pouco, envolvendo cada milímetro do meu ser, comprimindo com violência, impedindo-me de respirar e me movimentar. A única coisa possível no momento, e dentro dos pensamentos que me são permitidos, um medo irracional de morrer.
Faço questão de compartilhar isso com você, porque sei que as pessoas sentem diferente. Ansiedade não é frescura, não é para chamar atenção. Eu mesmo, quando tenho picos, fico aterrorizado se as pessoas se aglomeram perto de mim.
Alguns dragões eu não sei se você mata. Pode até ser que sim, mas enquanto este dia não chega, nós precisamos aprender a lidar com eles e não fornecer alimentos que irão atordoá-los, enfurecê-los e despertarem seus caos internos de maneira desordenada.
A gente só entende o que procura entender. E olhar para si mesmo pode doer, pode ser assustador e pode trazer muitos sentimentos turbulentos. Faz parte do processo, não faz?

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