
Entre duas estradas, havia um caminho estreito, silencioso, como se pertencesse a um tempo à parte. Uma ciclovia ladeada por lavandas que dançavam ao vento, iluminadas pela lua crescente e cercadas por estrelas.
Naquela noite, um menino caminhava por ali.
Era o único lugar onde o barulho da cabeça não gritava mais alto que o som do próprio passo. Pensamentos agitados, lembranças teimosas, perguntas que não cessavam, tudo parecia se acalmar naquela trilha entre o que se sente o que ainda não se sabe.
Usava tênis já gastos e um short leve. Na mão direita, segurava uma camisa erguida ao alto, que o vento fazia flutuar como uma bandeira que não tinha palavras, mas dizia muito.
A cada passo, ele pensava nas escolhas que o haviam levado até ali. Mesmo as mais confusas tinham nascido dessa vontade de cuidar, de pertencer, de oferecer o que havia de melhor dentro de si.
Mas nada disso era dito em voz alta. O menino carregava o silêncio como quem carrega algo frágil e precioso.
O perfume da lavanda parecia sussurrar que existe força nos gestos pequenos. Que nem tudo precisa ser resolvido. Algumas coisas só precisam ser sentidas.
Ele não sabia se aquele caminho o levaria a algum destino. E, pela primeira vez, isso não era o mais importante no momento. A cidade dormia atrás dele, a noite o envolvia e o vento o compreendia.
Por um instante breve e inteiro, a mente e o corpo caminhavam juntos.
E isso, enfim, era um momento de silêncio dos pensamentos.

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