Existe uma árvore muito antiga sobre a qual quase ninguém fala.

Não porque fosse rara. Mas porque seus frutos obedeciam a uma regra diferente das demais árvores.

Eles jamais deveriam ser colhidos pelas mãos.

Precisavam esperar o vento.

Os antigos diziam que não era o tempo que tornava um fruto doce.

Era a espera.

Conta-se que dois viajantes decidiram cuidar daquela árvore juntos.

Depois de um inverno rigoroso, compreenderam que nem todo fruto nasce para permanecer no mesmo galho.

Na manhã seguinte, antes mesmo de o primeiro vento atravessar as folhas, um dos galhos já estava vazio.

Talvez nada de extraordinário tivesse acontecido.

A árvore continuava de pé.

O bosque permanecia o mesmo.

O vento ainda encontraria seu caminho entre os galhos.

Mesmo assim, um silêncio diferente repousou sobre as folhas.

Não era a ausência do fruto que pesava.

Era perceber que algumas esperas não pertencem ao tempo.

Pertencem ao coração.

E o coração, por mais que compreenda o curso das estações, continua acreditando que até o vento sabe esperar.

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