Faz tempo que eu não escrevo aqui. Acho que porque, depois de tanto tempo vivendo em turbulência constante, a calmaria acabou chegando — e, com ela, um certo silêncio também.
Mas hoje estou viajando a trabalho e, como sempre acontece quando estou na estrada, comecei a refletir.
Enquanto observava as indústrias que compõem a estrada, tive a mesma reflexão que sempre tenho quando viajo: a gente se acostuma tanto com a rotina que, às vezes, esquece o quanto a vida é dinâmica — e quantas histórias existem sem que a gente sequer imagine.
A bem da verdade, a reflexão começou enquanto eu passava pela Junqueira, uma avenida famosa da cidade em que moro, ouvindo “Garden Of Eden”, justamente na parte: “I’ve been feeling this familiar feeling”.
Pois é.
Uma sensação muito familiar.
Uma sensação de que é preciso se mover de tempos em tempos.
Uma sensação de que, ao mesmo tempo em que nenhuma experiência é particular, ela ainda assim é única para cada um.
E, meu Deus, neste momento, enquanto escrevo, me vem à mente:
Obrigado, Deus, por ser uma viagem de ônibus e não de avião.
E porque janelas de ônibus têm um efeito reflexivo.
Tô viajando?
Literalmente, sim.
Metaforicamente?
Talvez.
Além disso, existe algo quase mágico na sensação de escolher a playlist perfeita para uma viagem. Um dos pequenos prazeres da vida adulta, eu acho.
Sigo ouvindo MAYHEM Requiem, essa estética mais gótica e obscura, além desses trabalhos musicais cheios de sons etéreos e piano — músicas que praticamente te obrigam a senti-las por inteiro. Isso definitivamente contribui muito.
Enfim, percebo que já estou divagando demais.
Mas talvez isso faça bem para mentes barulhentas.
Um aparecer aqui de novo, depois de tanto tempo.
Até logo.

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