Ultimamente eu tenho conversado muito mais com as minhas amigas. E as nossas conversas atravessam assuntos muito complexos — pautas que, com certeza, não fariam parte de outros momentos da minha vida ou da vida delas.
A vida acontece com uma força difícil de descrever. Eu faria uma analogia a uma comporta de água que se abre de rompante, sabe?
No meu processo terapêutico, e nessas conversas, eu cheguei a uma conclusão. E essa conclusão virou um mantra para mim:
“Uma coisa por vez e cada coisa no seu tempo.”
Virou um mantra porque, quando o caos se manifesta na minha consciência, eu paro, respiro e repito para mim mesmo quantas vezes forem necessárias:
“Luan, uma coisa por vez e cada coisa no seu tempo.”
E isso, para mim, é potente por vários motivos:
– Sou uma pessoa muito ansiosa, às vezes de forma quase antinatural;
– O excesso de informações do dia a dia sobrecarrega a minha cabeça;
– Eu vivo com pressa — mesmo quando não existe uma necessidade real.
Sobre esse último ponto, vou dar um exemplo.
Semana passada (ou retrasada), eu estava em casa, num turbilhão de pensamentos, e pensei: preciso fazer algo para romper esse loop. Fui ao shopping atrás de uma comfort food e, quem sabe, um gelato.
Cheguei lá e, sem saber exatamente o que queria comer, fui no mais rápido: pizza.
Quando a minha senha apareceu no painel, retirei o pedido e comecei a comer. Sem perceber, eu estava comendo como se estivesse atrasado para um compromisso — com rapidez, quase com urgência, sem viver o momento.
Quando me dei conta, pensei:
“Mas por que diabos eu estou comendo tão desesperado, se eu vim aqui para relaxar?”
Uma coisa por vez e cada coisa no seu tempo.
Coloquei o celular ao lado e passei a comer com calma. Sentindo as texturas. Os sabores. Observando — com calma — a vida acontecendo ao redor.
Aquela comporta de água se transformou num riacho sereno. Pelo menos naquele momento.
Nem sempre a gente vai conseguir controlar o fluxo da água. Mas voltar ao presente é sempre uma possibilidade.
Quase sempre eu tenho pressa — e muitas vezes nem percebo. Pressa para trabalhar. Para comer. Para ser feliz.
Mas uma coisa é certa: forçar o processo não vai torná-lo mais fácil.
Eu só preciso ter consciência de que, às vezes, esse processo é um passeio de pedalinho num lago calmo e sereno.
Às vezes, é um passeio de caiaque numa corredeira.
Eu só não posso esquecer o colete.

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