Havia um jardim cercado por muros baixos. Dentro dele, plantas de diferentes espécies cresciam juntas, ocupando o terreno disponível sem grandes conflitos no início.
O solo era fértil, a luz suficiente, e o espaço parecia dar conta de tudo o que surgia. Durante muito tempo, crescer ali foi natural.
Com o passar das estações, as raízes começaram a se tocar. Não por disputa, mas por proximidade. O jardim não encolheu, mas o espaço entre as plantas diminuiu. Pequenos ajustes se tornaram necessários. Podas leves. Redirecionamentos quase imperceptíveis.
O jardim continuava bonito. Verde, vivo, admirável à distância. Ainda assim, exigia cuidado constante. Cada novo broto precisava ser contido para não pressionar o crescimento ao redor.
Aos poucos, algumas plantas passaram a crescer para dentro. Outras se expandiam com cautela excessiva, evitando ocupar mais espaço do que parecia permitido. Nada estava errado de forma evidente. Nada estava plenamente livre.
O jardim não adoeceu de uma vez. Foi se tornando denso. Pesado. Um lugar onde crescer exigia atenção contínua e onde florescer passou a ser exceção.
Em determinado momento, o jardim se rearranjou.
O terreno não ficou vazio. Apenas diferente.
O jardim permaneceu ali.


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